Calça justa. Saltão. Brincão. Cabelão. Andar e movimentos precisos, seguros. Caminha até o bar como se conhecesse o lugar.
Seu comportamento contrasta com a boate vazia. Os únicos ali eram os seguranças e os bartenders. Ao som de um roquezinho, ela parecia uma drag queen de tão maquiada.
O batom vermelho sangue deixava marcas na garrafa de algo que ela não poderia estar bebendo. Mas somente beber para esquecer o mico de abrir a balada.
Aos poucos outras pessoas chegam. Ela, que ao espelho se sentira tão linda, agora pensava parecer um bicho de circo. Os olhares a incomodavam. Ela brilhava: era a única de branco à luz negra.
Muito desconforto e duas horas depois, a banda que ela não conhecia sobe ao palco. “Disseram que era bom. Vamos ver…”, disse ao marido.
Começa uma música envolvente. O baixo, a melodia e a percussão fazem a harmonia perfeita. E, como se não fosse dona de seu corpo, ela se move ao som daquela batida.
Estava embriagada. Não pelo álcool, mas por aquela voz negra ao microfone que cantava músicas que ela sabia de cor.
Foi levada para um momento distante dali. Onde só haviam ela e o seu preto.
Se sentia linda. Se sentia parte daquela música. Sentia que era parte da banda também. Uma parte baixo, uma parte bateria, outra parte melodia.
Esqueceu. Do mico, dos olhares, da bebida. Da vida.
Quando voltou a si, eram quatro horas da manhã e o salto a impedia de dançar aquele samba-rock gostosinho que começava a rolar.
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Pra sentir tudo isso: Serial Funkers.
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Sumi um pouquinho. Tô de volta.