Versos de mulher adulta

Published 7 de Novembro de 2011 by Helena

Na mocidade que agora me encontro
as rugas que me faltam no rosto
mostram-se no peito.

Meu coração, como o de uma velha
já não se anima com lindos sonetos

As poesias que agora escrevo
não são odes à coisa alguma

Podem ser, se o forem apenas
lamentos solitários de mulher adulta

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Que a rudeza do meu semblante
e a aspereza de meus versos
espantem daqui a paixão.

E que no cair das folhas do próximo outono,
possa eu celebrar o fim do verão.

Perguntas.

Published 11 de Setembro de 2011 by Helena

Estou “patinando”. Pois é.

Estamos patinando.

Algo indescritível me acomete todos os fins de semana. Um certo medo, uma certa insegurança. Um sentimento de que não vai dar tempo, que não tenho tempo, que estou perdendo tempo.

Estou perdendo tempo. Estamos perdendo tempo?

E precisamos de tempo para quê? Por quê?

O que devia ter feito que não fiz? O que não deveria fazer que ainda faço?

Será que ainda estou procurando uma desculpa?

O que não quero ver? O que não queremos ver?

Será que estamos todos esses anos simplesmente esperando que algo aconteça? Que apareça algo ou alguém que nos afaste ou aproxime?

Será que é possível recuperarmos toda aquela certeza dos primeiros anos? Não sei onde eu estava com a cabeça. Existem decisões que eu não teria tomado se tivesse a mesma cabeça de hoje.

Mas já as tomei. Posso agora voltar atrás? Sem que seja insensível, incompreensível, irreconhecível, surpreendente?

Tenho medo de tomar decisões que não possa mais voltar atrás.

Também tenho medo de estar parada, vendo a vida passar, pensando no passado, assistindo alguém tomar as decisões por mim.

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Me desculpe, mas não sei para onde estamos indo.

Published 23 de Junho de 2011 by Helena

Estou bem.

Com as escolhas que fiz. Com o caminho que escolhi pra minha vida.

Estudando (finalmente, estudando algo com o qual me importo e com o qual posso refletir sobre ‘todas aquelas questões”).

Trabalhando, com o que quero, e não no emprego que apareceu primeiro.

Morando na cidade que escolhi.

Com o peso que gostaria. Com o corpo que gostaria. Com o cabelo que me deu vontade (curtinho, sim. Cur-ti-nho)

Com os cachos que nasci.

Com alguém que me decifra pelo franzir da testa. Ainda que não haja da maneira que esperava, pelo menos de uma maneira que me faz bem.

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(Queria entender por que meu coração ainda sai do compasso quando penso em você.)

 

Feliz aniversário.

Published 20 de Abril de 2011 by Helena

O seu aniversário está chegando. Os anos afastadas me impedem de lembrar exatamente a data. Lembro de que é pouco antes do meu.

Gostaria de poder te abraçar. Ou simplesmente de apertar a sua mão. Talvez te entregar um pacote de balas de maçã verde e comer um cachorro quente.

Ouvir que você está bem, e que não se lembrava que somos as duas taurinas.

De te dizer que estou bem e ouvir que você ficou feliz com isso.

Felizmente, não sofro mais. Você ainda me vem à memoria quando vejo um filme, uma música, ou leio um poema que talvez você apreciasse. Uma lembrança tranquila, e que não me dá mais nós no estômago.

“Pra ser sincero…” , lembra?

Um feliz aniversário para você, minha grande amiga. Seja ele o dia que for.

Segundas.

Published 8 de Fevereiro de 2011 by Helena

Levantou-se como em outras madrugadas. Desodorante, roupa, crachá. Bebeu uma mistura chata de leite desnatado com ração humana. É que tem o intestino preso.

Uniforme, trabalho, almoço: arroz integral, salada e omelete de queijo. É que tem tendência a engordar.

Trabalho, trabalho, banho. Aluguel, médico: parou com a pílula. É que prejudica seu fígado.

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E seguiu-se a tarde. E em seguida veio a noite.

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Tomou banho com àgua fria, lavou os cabelos com xampú sem sal, lavou o rosto com sabonete glicerinado, hidratou seu corpo e seu rosto com cremes anti-celulite e anti-idade. Vestiu sua camisola comportada de se deitou. Mas não sem antes verificar se as janelas e portas estavam corretamente fechadas e se a tomada anti-insetos estava corretamente colocada.  É que tem alergia a insetos.

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“Onde foram parar meus sapatos vermelhos?”

Feliz Ano Novo

Published 2 de Janeiro de 2011 by Helena

Bem, mais um ano começa (e eu já começo o ano com pedidos de desculpas pendentes).

Me desculpe por achar que era você o meu problema. Era muito mais fácil te culpar do que me entender.

Quanto mais me aproximo dos meus problemas, mais distante você fica deles. Mais eu vejo que todos os sentimentos que existiram foram só isso: sentimentos.

Me sinto aliviada em não ter que te odiar mais (coisa que nunca consegui de qualquer forma). 

Obrigada por acatar o meu pedido. Mesmo sendo da forma que foi.

Infelizmente não posso ainda suspendê-lo. Existem ainda muitas coisas a serem esclarecidas.

Um feliz 2011. Pra você, pra ela, pra mim e pra você, querido.

Feliz 2011 para todos nós.

… (Reticências)

Published 12 de Dezembro de 2010 by Helena

Apesar de existir dentro de mim um dilúvio de sentimentos – bons e ruins – as palavras parecem insuficientes para traduzi-los. Tenho escrito pouco.

Tenho lido pouco também. Talvez as duas coisas tenham a ver.

E isso me faz lembrar de como lia bastante antigamente, naquela época da minha vida em que o tempo durava mais. Talvez tenha sido uma fase. E me faz lembrar também de todas as escolhas que fiz, e todas as fases por que passei. E de como o encerramento delas foi doloroso. E de como demorei a perceber que haviam passado…

[A falta de um bom sono torna mais difícil tirar conclusões de alguma coisa.

Fico por aqui, inconclusiva, como sempre. ]

 

 

 

 

À procura do fim do buraco.

Published 28 de Novembro de 2010 by Helena

Passei os últimos meses em um buraco. Aliás, ainda estou tentando sair dele. Aliás, ainda estou tentando descobrir como faço pra sair dele.

Inspirações confusas. Frases curtas. Não sei escrever, por enquanto.

Só uma vontade doida de botar tudo pra fora. E jogar tudo pro alto.

(Terapia, antes de começar a resolver, bagunça muita coisa. Tenham paciência.)

Serial Dancer

Published 23 de Agosto de 2010 by Helena

Calça justa. Saltão. Brincão. Cabelão. Andar e movimentos precisos, seguros. Caminha até o bar como se conhecesse o lugar.

Seu comportamento contrasta com a boate vazia. Os únicos ali eram os seguranças e os bartenders. Ao som de um roquezinho, ela parecia uma drag queen de tão maquiada.

O batom vermelho sangue deixava marcas na garrafa de algo que ela não poderia estar bebendo. Mas somente beber para esquecer o mico de abrir a balada.

Aos poucos outras pessoas chegam. Ela, que ao espelho se sentira tão linda, agora pensava parecer um bicho de circo. Os olhares a incomodavam. Ela brilhava: era a única de branco à luz negra.

Muito desconforto e duas horas depois, a banda que ela não conhecia sobe ao palco. “Disseram que era bom. Vamos ver…”, disse ao marido.

Começa uma música envolvente. O baixo, a melodia e a percussão fazem a harmonia perfeita. E, como se não fosse dona de seu corpo, ela se move ao som daquela batida.

Estava embriagada. Não pelo álcool, mas por aquela voz negra ao microfone que cantava músicas que ela sabia de cor.

Foi levada para um momento distante dali. Onde só haviam ela e o seu preto.

Se sentia linda. Se sentia parte daquela música. Sentia que era parte da banda também. Uma parte baixo, uma parte bateria, outra parte melodia.

Esqueceu. Do mico, dos olhares, da bebida. Da vida.

Quando voltou a si, eram quatro horas da manhã e o salto a impedia de dançar aquele samba-rock gostosinho que começava a rolar.

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Pra sentir tudo isso: Serial Funkers.

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Sumi um pouquinho. Tô de volta.

Lê-se búzios, cartas e tarô.

Published 12 de Julho de 2010 by Helena

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